Fiquei perplexo ao receber que minha última conta de luz custou R$ 610, o valor mais exorbitante que já paguei na vida. Fiquei me perguntando: será que foi a inflação? Será que em SC — para onde me mudei recentemente — a eletricidade custa mais? Talvez minha insistência em usar meus eletrodomésticos em 110v num estado 220v?

Então fiz o que naturalmente qualquer pessoa faria e pedi para o Claude Code me ajudar a analisar minhas contas de luz. Precisava vasculhar meus e-mails — recebidos de cinco distribuidoras diferentes — desde 2011, baixar os PDFs e extrair linha a linha o tipo de despesa. Com essas informações, crie uma planilha com todos esses gastos.

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Quando eu tinha 16 anos, eu chegava da escola todas as tardes, almoçava com a família e ia para o computador ficar online, algo que era deliberadamente uma ação e não onipresente como hoje.


Estávamos todos descobrindo como usar as plataformas[1] às quais estávamos tendo acesso com a popularização da internet. Lembra quando quase ninguém sabia que usar “aspas” no Google tornava a busca precisa? Ou o símbolo - removia termos da pesquisa? Eu mesmo publiquei — em 2006 — um apanhado de dicas para usar o Google (e outro sobre o Gmail). Este blog (agora newsletter) começou como um lugar para eu postar coisas que achava fascinantes online.

Em 2026, eu me vejo novamente me divertindo igual criança com brinquedo novo. Além da análise de contas de luz, também tenho usado o Claude Code — que tem uma capacidade extraordinária de resolver tudo com programação — em outros projetos:

  1. Edição de vídeo: Um agente[2] que adapta meus textos da newsletter (que não tocam o Claude) para roteiro de vídeo curto (que são formulaicos). Os gráficos deste vídeo no Instagram — que é uma adaptação do texto Mediocridade Eficiente — foram feitos inteiramente pelo Claude. Consigo remover trechos com silêncio, gerar legenda e adicionar efeitos sonoros automaticamente. Direto para minha timeline do Final Cut Pro.
  2. Curadoria de notícias: Um “algoritmo” ranqueia as notícias mais importantes do dia — baseado nas minhas 80 fontes de sites de notícias (Bloomberg, Folha, Techcrunch, etc.) — e consolida numa newsletter matutina. Como eu mesmo escolhi os veículos e regras de priorização, é efetivamente um algoritmo “com curadoria humana.”[3]
  3. . Hub de saúde: um site que consolida todos os meus resultados de exames, incluindo um dashboard interativo com laudo evolutivo e marcadores para ficar atento. Quando fizer outro exame, é só subir o PDF do laboratório que ele extrai tudo automaticamente. Também tem outra tabela com todas as minhas consultas com médico, vacinas e remédios.

Precisava de soluções complexas para problemas simples? Obviamente não. Por mais que eu saiba que 90% dos meus projetos não vão ver a luz do dia, estou aprendendo muito a falar com as máquinas e me preparando para o futuro.

Acabei seguindo carreira de modelo após terminar o ensino médio, mas quatro anos mais tarde, meu fascínio por postar dicas para usar o Google foi o catalizador da minha carreira em tech, já que consegui meu primeiro emprego (como redator) por causa desse “portfolio”.

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Após algumas horas processando as faturas de luz, Claude entrega uma tabela com fórmulas e gráficos coloridos. Fiz então minha análise e concluo secamente o que todo adulto costuma concluir: só gastei demais mesmo. Afinal, aqui as noites fazem 1ºC e o ar-condicionado chora.


[1]: Plataformas: Google, Blogger, Fotolog, mais tarde Flickr)
[2]: Agente é uma IA que executa tarefas dado uma ordem. As vezes um agente coordena outros agentes e a coisa pode escalar muito rápido.
[3]: PS. Se você quiser receber essa newsletter de curadoria, responda a este e-mail que te coloco no teste.

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